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"...às vezes eu quero chorar mas, o dia acaba e eu esqueço...
...e às vezes eu quero demais e eu nunca sei se eu mereço..." *
Eu queria sofrer de amor. Sofrer mesmo de amor.
Ser daquelas mulheres que dizem:
"os homens não prestam, são todos uns canalhas"
Mas nunca acreditei nisso.
E qualquer bom psicanalista afirma que não atraímos nada daquilo que não acreditamos.
Talvez EU é que não presto.
"num mundo tão sincero
Não há lugar pra mim
Todos dizem a verdade
Só eu sou falso assim" **
Ok, sem mais, quero dizer que pra mim seria bem mais fácil sofrer de amor.
Porque isso eu tiro de letra. Porque não tenho o dom.
Não consigo colocar Adriana Calcanhoto e chorar num cantinho.
A verdade é que estou bem melhr que no início da semana.
Eu, uma retirante sulina.
Tentando o sucesso na cidade grande. Implorando a assinatura de padres no papelzinho que vira canudo. Pra quê?
O que quero eu com aquela instituição falida?
Não tenho respostas. Não encontro nada. Apenas sei que tenho me perdido por manhãs intermináveis debaixo de edredons, cobertores, travesseiros de ganso e tapa-olhos.
"...ali onde eu chorei qualquer um chorava, dar a volta por cima que eu dei quero ver quem dava" ***
Nem sempre conseguimos ser nobres o tanto quanto gostaríamos.
E eu estou apenas me adaptando.
Me adaptando a adiar os meus quereres.
E se meus quereres fossem carros, viagens, bolsas, sapatos ou um trem qualquer desses...
seria tão mais fácil.
Acontece que não sou fácil.
Chego a ser insuportável.
Eu sou a outra que não quero ser e nem sempre consigo voltar.
E quando volto fico ali parada, olhando a confusão.
Fazer o quê? Já faz algum tempo que resolvi aceitar os caminhos tortuosos sem sertralina.

e eles têm sido mais coloridos.
mesmo sem chá de cogumelos.
e eu tenho fluído melhor, voltei a respirar.
Desculpa qualquer coisa, não era eu, era a outra.
*Alvin L.
**Branco Mello
***Paulo Vanzolini, na voz rouca da Elza, claro!
criado por ju_menz
11:36:35